Vídeo feito pela APLATS - ASSOCIAÇÃO DE PRESERVAÇÃO DA LAGOA DE ANTÔNIO TEIXEIRA SOBRINHO
TV SALITRE APRESENTA - EXPEDIÇÃO AO RIO SALITRE - PARTE I
Expedição retrata situação atual da Bacia do Rio Salitre
Teve início no final do mês de abril uma “Expedição à Bacia do Rio Salitre”, que nasce no município de Morro Chapéu e deságua em Juazeiro, na Bahia. A iniciativa pretende dar visibilidade a situação atual deste afluente do Rio São Francisco que a algumas décadas vem sendo cada vez mais degradado devido tanto à ação humana inconseqüente quanto à ausência da gestão de suas águas, usadas de forma desordenada, principalmente para irrigação de grandes lavouras. Ao longo das visitas, registros em fotografias, áudios e vídeos estão sendo feitos sobre o rio e a vida do povo que vive em suas margens.
A “Expedição” partiu da foz, no povoado de Sabiá II, município de Juazeiro e pretende percorrer até a nascente, em Morro do Chapéu. A intenção é reunir elementos que possam compor um banco de dados sobre a situação do rio e assim subsidiar possíveis soluções para os diferentes problemas que hoje o afetam, o que traz diferentes consequências para a população que depende de suas águas, seja nos municípios mais próximos da nascente ou as comunidades situadas no baixo Salitre, região da foz.
Além disso, a Expedição busca também cumprir o objetivo de veicular as informações levantadas em alguns meios de comunicação da região, bem como nos veículos institucionais de entidades e movimentos sociais comprometidos com a questão ambiental. Neste sentido, matérias, boletins, sugestões de pautas, mini-vídeos para disponibilização na internet, redes sociais serão alguns dos instrumentos usados.
Não deixe de acompanhar acessando nossos principais instrumentos de comunicação!
ÁGUA PARA TODOS E PARA NÓS!
Vista aérea de Juazeiro(BA) e Petrolina(PE)
Antes que você leia a matéria do Geraldo José sobre a reunião que o Comitê da Bacia do São Francisco realizou no dia 25 no Auditório da CODEVASF em Juazeiro, não podia deixar de externar que quando lia e ouvia o mundo político relatar o quanto de investimentos a Bahia perde para o vizinho estado do Pernambuco pensava que era apenas argumentos politiqueiros da "base alugado" que apoia a presidente Dilma.
Nesta reunião ficou claro para os presentes de 05 estados (Minas Gerais, Bahia, Pernambuco, Alagoas e Sergipe), que estavam no auditório da CODEVASF quando assistiram a aula do Diretor da APAC - Agência Pernambucana de Águas e Climas, Marcelo Asfora apresentou como ha 08 anos o estado vem se preparando para conviver com a seca e neste período crítico não fez nenhum pedido de braço ou eixo novos da famigerada Transposição do São Francisco porque o estado tem o mapa da seca, o controle e o balanço hídrico do estado, enquanto os representantes do governo da Bahia, representando a CERB e a SEMA/INEMA sequer tiveram nada para apresentar a não ser um institucional conhecido pelos membros dos comitês baianos como "Água para Todos", menos para os Comitês que o estado instituí em 2006 e nesta gestão vem sendo enfraquecidos por não aportar recursos para os comitês, comprometendo todo o "Sistema"
Assim, por termos passado em 5 anos de governo Wagner por três metamorfoses no Órgão Gestor, que inicialmente era SRH, foi transformado em INGÁ e ha 1 anos atrás em INEMA e por isso não têm o mapa da seca, o controle e o balanço hídrico do estado. Quem não conhece a situação da escassez de água na Bacia do Salitre e do verde Jacaré? Talvez só o Eugênio por ter vindo do sul como consultor da BAMIN e agora sai pedindo dispensa de licitação para conclusão da adutora do São Francisco que vai levar água para Mirorós e sai atirando no escuro pedindo o terceiro eixo ou eixo sul da transposição avaliado em 600 milhões para levar água ao Rio Itapicuru detonado pela mineradoras e Vaza Barris, historicamente seco desde os tempos remotos, principalmente para quem conhece a história da Bahia como a do Antônio Conselheiro.
No dia 22 em reunião no Ministério da Integração o conterrâneo Amaury Teixeira, deputado federal do PT, através da indicação 2899/12 solicita que as obras da transposição do São Francisco possa levar água para o rio Jacuipe pertencente a Bacia Hidrográfica do Paraguaçu, alegando levar água para as cidades de Baixa Grande, Capela do Alto Alegre, Gavião, Nova Fátima, Pé de Serra, Pintadas, Quixabeira, Riachão do Jacuipe, Serra Preta, Várzea do Poço e da Roça, Ipirá e Mairi, que segundo o deputado, fica próximas ao "Velho Chico". Parece que o deputado não foi aluno do saudoso professor de geografia Adonel Moreira de Freitas (carinhosamente conhecido como compêndio), e da professora Celma.
Assim, fica evidente a diferença entre os técnicos do estado do Pernambuco e os representantes da Bahia que foram representar o Governador Wagner e o Secretário Eugênio Spengler que optou fazer a abertura da 3ª Conferência Estadual de Meio Ambiente em Paulo Afonso, encerrando a 20ª conferência regional que ironicamente temo como tema "Integração das políticas de Meio Ambiente e Recursos Hídricos"
MATÉRIA DA ASCOM DO CBH SÃO FRANCISCO PUBLICADA NO http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=noticia&cod_noticia=26885
26/05 SÁBADO | COMITÊS DA BACIA DO RIO SÃO FRANCISCO QUEREM MELHOR GESTÃO DA ÁGUA |
A necessidade de melhorar a gestão dos recursos hídricos foi a conclusão que emergiu da discussão pública sobre os efeitos da estiagem na bacia do Rio São Francisco, que se estendeu durante todo o dia de hoje (25.5), no auditório da Codevasf, em Juazeiro. O encontro, promovido pelo Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco - CBHSF, reuniu dirigentes dos governos federal, estaduais e municipal, representantes de seis comitês de bacias de rios afluentes, conselhos de seis açudes e a categoria dos produtores irrigantes do Oeste da Bahia.
No primeiro relato do dia o representante do comitê da bacia do rio Salitre, Almack Luiz Silva, distinguiu entre “a seca natural, cíclica, e a seca de gestão”. A abordagem predominou nas diversas intervenções, consolidando o entendimento de que a escassez de água que penaliza atualmente as populações, culturas e criações no Nordeste decorre tanto do fenômeno cíclico da estiagem como também de outros fatores, relacionados com a gestão dos recursos hídricos. No encerramento da programação matutina, o presidente do Comitê do São Francisco, Geraldo José dos Santos, destacou este como o sentimento emergente entre os participantes:
“É um anseio geral, todos desejam uma melhor gestão dos recursos hídricos, quer seja nas ações de governo, ou nas ações dos próprios comitês”. Os depoimentos evidenciaram problemas de toda ordem, desde a falta de água, falta de recursos para investimentos em obras hidroambientais, até o desmatamento, poluição, assoreamento, degradação das nascentes, técnicas predatórias, convergindo para o convencimento de que é necessário desenvolver meios de convivência com a estiagem, enquanto fenômeno cíclico.
O presidente da Agência Pernambucana de Águas e Climas - Aspac, Marcelo Asfora, opinou que “devemos ter uma visão clara sobre o que é situação de calamidade e o que é a convivência com o semiárido. Neste momento, em relação à estiagem, estamos diante de um evento catastrófico, que deve ser tratado como tal, isto é, uma situação de emergência. Ao mesmo tempo, se aprendermos a conviver bem com o semiárido, se desenvolvermos procedimentos e tecnologias adequados, teremos meios para enfrentar a estiagem”.
A matéria na íntegra leia aqui...
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| Ascom CBHSF | |
AMBIENTALISTA JACOBINENSE ABRE CONFERÊNCIA REGIONAL DE MEIO AMBIENTE DE JUAZEIRO
| 5 QUINTA-FEIRA | MATÉRIA DO SITE GERALDO JOSÉ VARIADAS ÀS 06:00 CONFERÊNCIA TERRITORIAL DO SERTÃO DO SÃO FRANCISCO É REALIZADA EM JUAZEIRO |
Amacks Luiz Silva, presidente do CBH Salitre, fez abertura da Conferência Territorial do Meio Ambiente do Território Sertão do São Francisco
A Prefeitura de Juazeiro através da Secretaria de Agricultura, Desenvolvimento Rural e Meio Ambiente participou nesta quarta-feira (23), no auditório da Universidade Estadual da Bahia (UNEB) em Juazeiro; da Conferência Territorial do Sertão do São Francisco, etapa que antecede a 3ª Conferência Estadual do Meio Ambiente e que objetiva discutir a integração das Políticas de Meio Ambiente e de Recursos Hídricos no Estado da Bahia.
O evento tem como proposta, ampliar a reflexão e o debate sobre as problemáticas e os desafios impostos à área socioambiental nos municípios que integram o Território Sertão do São Francisco – Juazeiro, Curaçá, Sento Sé, Casa Nova, Sobradinho, Remanso, Pilão Arcado, Campo Alegre de Lourdes, Uauá e Canudos. “A etapa territorial faz parte de um processo que estamos realizando em todo estado, atendendo aos 27 territórios de identidade, que resulta na realização de 20 conferências. O objetivo principal do evento é a sistematização e a unificação do ponto de vista da execução do plano plurianual do governo em relação as políticas de recursos hídricos e de meio ambiente”, informou Aldo Carvalho da Silva, Coordenador de Política e Articulação Institucional da Secretaria Estadual de Meio Ambiente.
Aldo explicou também que tanto a política de recursos hídricos como a de meio ambiente são prioritárias para o Governo do Estado, porém elas estavam caminhando separadamente; “e para que possamos dar mais agilidade e celeridade nos processos, melhorando a eficiência do governo na sua ação, é necessário que a gente articule as duas juntas”, observou. O evento que é uma realização da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e conta com o apoio da Prefeitura de Juazeiro, reuniu representantes do poder público, sociedade civil e do setor produtivo. De acordo com Kitty Tavares, diretora de estudos avançados do meio ambiente e representante do titular da SEMA, Eugênio Spengler, a metodologia utilizada nessa etapa é um pouco diferente, porque já traz o plano plurianual pronto - discutido pela sociedade e aprovado pela administração do estado.
Vinte e três delegados escolhidos durante a conferência municipal, irão representar o território na etapa estadual. Na ocasião, as 37 propostas de diretrizes (atividades para políticas públicas integradas) aprovadas em Juazeiro deverão ser discutidas em Salvador. Para Minéia Clara dos Santos, uma das delegadas que representará Juazeiro, este é um momento importantíssimo. “Pretendemos focar durante a etapa estadual, na destruição dos rios - São Francisco e Salitre; além da degradação nas áreas de preservação permanente, e os métodos de extração no que diz respeito à mineração. Tudo que a gente puder falar e debater, nós iremos. Esse é um momento muito importante, um fórum de discussão onde a gente pode levar para os nossos políticos – poder legislativo e executivo, a nossa insatisfação com a destruição ambiental”, frisou.
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| Lene Radina – Assessoria de Comunicação/SEADRUMA (Prefeitura Municipal de Juazeiro) http://www.geraldojose.com.br/index.php?sessao=noticia&cod_noticia=26787 | |
TV SALITRE
A equipe de comunicação do IRPAA - Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada através de Érica Daiane, lança pelo YOUTUBE o canal TV SALITRE. Apresentamos o protesto que os estudantes fizeram durante a reunião que aconteceu na comunidade do Junco/Juazeiro-BA no dia 17/05/2012, sobre a água que o Salitreiro bebe.
Cheia dos rios no Amazonas e seca no Nordeste do Brasil espanta cientistas
Cheia no Rio Negro
Seca no Nordeste
Os extremos climáticos nas regiões Norte e Nordeste
do Brasil, que enfrentam cheia e seca recordes, respectivamente, estão
desafiando os cientistas. Apenas nos últimos sete anos, a Bacia Amazônica
registrou as duas maiores estiagens da História, em 2005 e 2010, e as duas
maiores inundações, em 2009 e em 2012.
Na última quinta, o Serviço Geológico do Brasil, conhecido como CPRM, informou que o nível do Rio Negro subiu mais dois centímetros, chegando aos 29,80 metros.
Enquanto isso, o semiárido nordestino viu muito pouca chuva cair na última estação úmida, encerrada no mês passado, e agora a maior parte de seus 25 milhões de habitantes distribuídos em 1,1 mil municípios encara a perspectiva de ter que esperar até o início do ano que vem por mais água vinda do céu.
Segundo os especialistas, as causas pontuais destes dois eventos extremos são relativamente fáceis de serem apontadas. No caso da cheia da Bacia Amazônica, ela ainda estaria ligada ao fenômeno conhecido como “La Niña”, uma redução da temperatura da superfície na faixa equatorial do Oceano Pacífico que provoca mais chuvas na região.
Apesar de a Organização Mundial de Meteorologia (WMO, na sigla em inglês) ter declarado seu término esta semana, a influência da “La Niña” fez aumentar a precipitação em dezembro, janeiro e fevereiro na parte Oeste do Norte da América do Sul.
Agora, toda essa água já desceu os Andes e as calhas dos rios afluentes, elevando o nível do Rio Negro. Já no caso do Nordeste, é o resfriamento do Oceano Atlântico que está provocando o surgimento de sistemas de alta pressão atmosférica que invadem o continente, impedindo a formação de nuvens e, consequentemente, as chuvas.
Embora os cientistas evitem afirmar que o aumento na frequência de eventos extremos esteja diretamente relacionado às mudanças climáticas, eles admitem que isso pode ser um sinal de que os modelos sobre a influência da ação humana no clima estão corretos.
— Tanto a cheia no Norte quanto a seca no Nordeste são fenômenos de causas naturais, que já aconteceram antes – diz José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). — O que é incomum, porém, é a sincronicidade que estamos vendo este ano. Normalmente, as duas regiões costumam se comportar de forma similar, com a “La Niña” provocando mais chuvas em ambas. Assim, o estranho neste ano é que a “La Niña” tomou conta da Amazônia, enquanto a situação no Atlântico Tropical Sul influenciou o Nordeste. E este tipo de divisão que leva a extremos de ambos os lados da região tropical da América do Sul é o que os modelos climáticos preveem que vai acontecer no futuro.
Javier Tomasella, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segue a mesma linha. Segundo ele, a situação é “inusitada”, com o recém-criado órgão tendo que lidar com casos opostos de muita e falta de chuvas em duas regiões vizinhas.
— A rigor, não temos indícios suficientes para afirmar as mudanças climáticas estão alimentando este processo — conta. — Sabemos que os dois eventos extremos estão ligados à temperatura na superfície dos oceanos, mas o caráter dinâmico dos fenômenos climáticos faz com que se tenha uma incerteza muito grande quanto a suas causas. O fato, porém, é que fenômenos que deveriam ocorrer uma vez por século estão se repetindo a cada quatro ou cinco anos. E o por que disso é a grande pergunta que a gente tem.
De olho na gravidade da situação, os técnicos do Cemaden, Inpe, e outros órgãos, junto com representantes das defesas civis das duas regiões, vão se reunir hoje para nova avaliação, que será apresentada à Casa Civil.
Na última quinta, o Serviço Geológico do Brasil, conhecido como CPRM, informou que o nível do Rio Negro subiu mais dois centímetros, chegando aos 29,80 metros.
Enquanto isso, o semiárido nordestino viu muito pouca chuva cair na última estação úmida, encerrada no mês passado, e agora a maior parte de seus 25 milhões de habitantes distribuídos em 1,1 mil municípios encara a perspectiva de ter que esperar até o início do ano que vem por mais água vinda do céu.
Segundo os especialistas, as causas pontuais destes dois eventos extremos são relativamente fáceis de serem apontadas. No caso da cheia da Bacia Amazônica, ela ainda estaria ligada ao fenômeno conhecido como “La Niña”, uma redução da temperatura da superfície na faixa equatorial do Oceano Pacífico que provoca mais chuvas na região.
Apesar de a Organização Mundial de Meteorologia (WMO, na sigla em inglês) ter declarado seu término esta semana, a influência da “La Niña” fez aumentar a precipitação em dezembro, janeiro e fevereiro na parte Oeste do Norte da América do Sul.
Agora, toda essa água já desceu os Andes e as calhas dos rios afluentes, elevando o nível do Rio Negro. Já no caso do Nordeste, é o resfriamento do Oceano Atlântico que está provocando o surgimento de sistemas de alta pressão atmosférica que invadem o continente, impedindo a formação de nuvens e, consequentemente, as chuvas.
Embora os cientistas evitem afirmar que o aumento na frequência de eventos extremos esteja diretamente relacionado às mudanças climáticas, eles admitem que isso pode ser um sinal de que os modelos sobre a influência da ação humana no clima estão corretos.
— Tanto a cheia no Norte quanto a seca no Nordeste são fenômenos de causas naturais, que já aconteceram antes – diz José Marengo, pesquisador do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). — O que é incomum, porém, é a sincronicidade que estamos vendo este ano. Normalmente, as duas regiões costumam se comportar de forma similar, com a “La Niña” provocando mais chuvas em ambas. Assim, o estranho neste ano é que a “La Niña” tomou conta da Amazônia, enquanto a situação no Atlântico Tropical Sul influenciou o Nordeste. E este tipo de divisão que leva a extremos de ambos os lados da região tropical da América do Sul é o que os modelos climáticos preveem que vai acontecer no futuro.
Javier Tomasella, coordenador de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), segue a mesma linha. Segundo ele, a situação é “inusitada”, com o recém-criado órgão tendo que lidar com casos opostos de muita e falta de chuvas em duas regiões vizinhas.
— A rigor, não temos indícios suficientes para afirmar as mudanças climáticas estão alimentando este processo — conta. — Sabemos que os dois eventos extremos estão ligados à temperatura na superfície dos oceanos, mas o caráter dinâmico dos fenômenos climáticos faz com que se tenha uma incerteza muito grande quanto a suas causas. O fato, porém, é que fenômenos que deveriam ocorrer uma vez por século estão se repetindo a cada quatro ou cinco anos. E o por que disso é a grande pergunta que a gente tem.
De olho na gravidade da situação, os técnicos do Cemaden, Inpe, e outros órgãos, junto com representantes das defesas civis das duas regiões, vão se reunir hoje para nova avaliação, que será apresentada à Casa Civil.
Fonte: O Globo
Marcio Pochmann: ‘Ascensão da classe trabalhadora dá sinais de esgotamento’
Prestes a disputar a eleição municipal em Campinas, o economista Marcio Pochmann, presidente do Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada), nega a existência de uma nova classe média no Brasil em seu novo livro A Nova Classe Média?, da Editora Boitempo.
Na obra, o economista defende a tese de que a mudança social dos últimos oito anos não resultou na criação de uma nova classe média no País. Segundo ele, os empregos gerados nos últimos anos criaram uma classe trabalhadora consumista, individualista e despolitizada.
Esse movimento de ascensão da classe trabalhadora, segundo Pochmann, apresenta sinais de esgotamento, e agora o governo deve buscar outras maneiras de gerar emprego.
O economista deve sair em breve do Ipea, onde está desde 2007, para concorrer à prefeitura de Campinas pelo PT. O livro será lançado no próximo dia 29, durante debate na sede da PUC, em São Paulo.
CartaCapital: O senhor fala que há um despreparo das instituições democráticas para canalizar os interesses da nova classe trabalhadora. Por quê?
Marcio Pochmann: Estamos observando uma despolitização nesta ascensão social no País. Ela vem envolvida nos valores do mercado, e não poderia ser diferente. Foi assim nos anos 70. Naquela época, havia uma ação mais direta das instituições, o que nós não estamos vendo hoje.
Há um despreparo das instituições para lidar com esse segmento que, possivelmente, liderará o processo político brasileiro. De alguma forma, esse segmento conduzirá a política brasileira. Seja pela direita, seja pela esquerda.
Os sindicatos, associações de bairro e partidos políticos estão observando esse avanço social que não se traduz em aumento das filiações nos sindicatos, nas associações de bairros, nos partidos políticos.
Veja que cerca de 1 milhão de jovens ingressaram na universidade através do Prouni. Isso é uma ascensão na universidade, mas se traduziu na ampliação e reforço do movimento estudantil? A gente não observa isso.
Acontece a mesma coisa em relação aos leitores. Houve um avanço de mais de 40 milhões de leitores no Brasil, mas a ampliação da mídia escrita não se traduziu nesse mesmo sentido.
CC: Há uma explicação para isso?
MP: As instituições democráticas não entenderam ainda o que tem sido essa mobilidade social. Como nós temos pouco conhecimento, não temos uma ação mais identificada. Os sindicatos acabam sendo mais defensores do passado que protagonistas do futuro porque não conseguem criar um diálogo com esse segmento. É um desafio evidente para todos nós.
CC: O senhor fala que a classe trabalhadora é consumista. Isso é necessariamente ruim?
MP: Não, é um movimento natural que ocorre quando você não tem a politização, consegue um emprego e tem a elevação da sua renda. Você entende como sendo resultado do seu esforço individual quando, na verdade, nós sabemos que a geração e a elevação da renda dependeram de um acordo político, de uma decisão política, de um resultado eleitoral.
Portanto, o que eu quero chamar a atenção é que essa manifestação que se observa de forma mais clara é natural do ponto de vista da individualidade de cada um. Mas se não vem acompanhada de um processo de conscientização, essa ascensão pode ao mesmo tempo retroagir ou ser encaminhada para uma visão de sociedade muito diferente da que levou a uma ascensão social recente.
CC: Porque as pessoas identificam a ascensão como resultado do próprio esforço individual…
MP: Esse é o papel da politização, até porque você percebe que as coisas foram feitas com esses segmentos. Eles são favoráveis ao crescimento, ao emprego e assim por diante. Mas na questão dos valores mais amplos da política, como pena de morte, eles majoritariamente estão atrelados a visões muito ultrapassadas.
CC: A maior parte dos empregos gerados foi com rendimento próximo a um salário mínimo. Como o governo pode gerar empregos com melhor remuneração?
MP: Primeiro quero dizer que foi muito bom ter gerado esses empregos acompanhados da formalização e do aumento do salário mínimo, tendo em vista o estoque de desempregados que nós tínhamos. Nos anos 2000 eram praticamente 12 milhões de pessoas desempregadas. Se o Brasil não gerasse esse tipo de oportunidade, se gerasse empregos de classe média, que exigem maior escolaridade, esse segmento que ascendeu não teria ascendido. Mas esse movimento está apresentando sinais de esgotamento. Porque a questão fundamental neste momento é a ampliação dos investimentos para aumentar a capacidade produtiva. E o aumento de investimento, novas fábricas, novos avanços da produção vêm acompanhados de inovação tecnológica, maior exigência de qualificação, maior demanda de trabalhadores com escolaridade, portanto maiores salários e ocupações melhores.
CC: No livro, o senhor diz que as pessoas que acenderam socialmente nos últimos anos não podem ser consideradas de uma nova classe média. Por quê?
MP: Uma classe média tem ocupações diferentes dessas que foram geradas. Se fossem vinculadas a bancários, professores ou dirigentes de empresas, possivelmente nós poderíamos associar isso a classe média, mas não foram essas ocupações que deram razão a essa mobilidade social.
No caso brasileiro, parcelas significativas das ocupações não são geradas pela indústria, mas sim por serviços. Por isso, entendemos que são novos segmentos no interior da classe trabalhadora. A classe média tradicionalmente tem uma estrutura muito diferente desses segmentos novos que surgiram no Brasil. Ela tem mais gastos com educação e com saúde. O peso da alimentação é muito menor do que o que se identifica nesse segmento de renda de até 1,5 ou 2 salários mínimos mensais.
Ao mesmo tempo, a classe média poupa, não gasta tudo que ganha. Nela, a elevação da renda não se traduz necessariamente na elevação do consumo. Especialmente porque os bens que mais têm sido dinamizados no país, como eletrodomésticos, são bens que a classe média já possui. Então a classe média poupa. E isso é uma diferença que nós não identificamos nos segmentos agora em ascensão.
A classe média tem ativos e patrimônio. São várias características que infelizmente nós não conseguimos observar nesses segmentos que estão ascendendo. E são segmentos que, ao nosso modo de ver, dizem respeito à classe trabalhadora, tal como foi o padrão de expansão do Brasil nesses últimos dez anos.
CC: Essas particularidades mudam, alguma forma o foco das políticas voltadas a essa parcela da população?
MP: Esse debate, de como se identifica essa ascensão social no Brasil, tem implicações evidentes no posicionamento do Estado brasileiro, das políticas públicas. Se nós identificarmos essa ascensão como um movimento vinculado à classe média, certamente o papel do Estado estaria ligado à difusão dos serviços privados, por intermédio de subsídios, como através do Imposto de Renda, que subsidia gastos do setor privado da classe média. Hoje é possível descontar despesas de educação, saúde e previdência privada. São interesses diferentes da classe trabalhadora, que são por bens públicos de interesse coletivo: saúde pública, educação pública, transporte público.
CC: Quando o senhor deve sair do Ipea para se dedicar à campanha?
MP: Essa é uma resposta que eu não tenho condições de dar. Até o 6 de julho, eu sei que tenho que sair inexoravelmente. O dia que eu vou sair depende da presidenta, estou aguardando o posicionamento dela.
CC: O senhor até hoje só tinha ocupado cargos técnicos e agora está tentando a sua primeira eleição. Por que tomou a decisão de ser candidato?
MP: Eu me considero um intelectual de perfil engajado. Foi a partir de uma conversa com o próprio presidente Lula, em que ele chamava atenção às mudanças que o Brasil estava passando no começo desse século. As mudanças são muito diferentes daquela que o Brasil estava passando nos anos 70, começo dos 80, quando o PT foi criado. Hoje temos um ciclo de lideranças que foram forjadas num Brasil que quase não existe mais. Existe uma necessidade de renovação do PT, especialmente quando o partido está no auge ainda.
E tem também, outro lado. Em geral, a prefeitura existe como um cargo com menor visibilidade quando se compara com o Executivo estadual e nacional. No caso do Brasil, uma federação, o exercício de um mandato na prefeitura é absolutamente fundamental. Quando se lança uma política pública, se fala da experiência em determinada localidade, para saber se dá certo, dá errado, de poder tornar um programa de abrangência nacional. Temos uma oportunidade de testar experiências inovadoras no ponto de vista da administração pública a partir da experiência local. Campinas é uma cidade que permite essa oportunidade de iniciar um ciclo de inovações em políticas públicas que são necessárias para o Brasil de hoje.
CC: O senhor foi indicado pelo presidente Lula, a exemplo do que aconteceu em São Paulo com o Fernando Haddad. Há setores do partido que se incomodam com essas decisões tomadas com base no desejo do ex-presidente.
MP: No meu caso, tive essa conversa com o presidente Lula e depois comecei uma conversação longa com os militantes, com o PT na cidade de Campinas e tanto assim que me submeti a uma prévia dentro do PT com outro candidato. Foi a prévia com a maior participação na cidade de Campinas e maior apoio a um candidato. Porque participei de um processo interno democrático, aprendi muito, gostei.
CC: Tem falado com o ex-presidente?
MP: Eu estive com ele há duas semanas e conversamos um pouco sobre esse período pós-prévia, organização da campanha. Ele manifestou desejo de apoiar da melhor forma que puder.
CC: A presidenta Dilma já disse como será a presença dela na campanha?
MP: Eu ainda não tive essa oportunidade. Estou esperando o momento oportuno para conversar com ela.
CC: Quais partidos vão fazer parte da aliança?
MP: Também não há definição. A gente ainda começa a ouvi-los, vai consultar vários partidos e fazer o balanço das oportunidades para partidos. E tem tempo para a definição até julho, na verdade.
CC: Campinas teve um prefeito cassado recentemente, Dr. Hélio (PDT). Haveria algum constrangimento em se aliar ao PDT?
MP: Não. Na verdade, eu imagino que a discussão nesse âmbito da prefeitura se deu no passado, embora isso seja um elemento a ser discutido. Se nós ficarmos discutindo o passado, não teremos respostas para o futuro. Quero ser um candidato do futuro, ter respostas para a sociedade. O passado serve só para a gente não repeti-lo nem cometer os mesmo erros.
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